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DIÁRIO DA MADRE

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Amar no Mar

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Mila tem jeito de mulher curiosa, louca e poeta, e no fundo, apesar de muitos problemas que enxerga na vida e de suas inseguranças, parece também enxergar muito bem o que quer da vida. É do signo de terra. Personalidade radiante e prudente.

Lorel tem jeitão livre. Doce. Um ar de moça independente e corajosa. Sem pudores. Mas ao mesmo tempo, há algum tempo não consegue contemplar a beleza do silêncio do olhar ou ver alma em um desejo. É também do signo de terra. Personalidade desprendida.

[Um mar e duas sombras]

[A lua]

[Os pés. Um par de pés descalços. Outro com botas.]

[As mãos. Os dedos. O agitar diferente dos dedos de ambas. O todo em um ângulo da câmera por cima da dupla.]

[Som do mar e do vento]

MILA- Tenho uma carta que escrevo há muito anos. E que nunca terminei.

LOREL- O que é? Mais uma de suas histórias cheias de músicas? Não me surpreende que não tenha acabado. Você parece que sempre tem muito a dizer. E quantas páginas tem essa carta?

MILA- O número de estrelas sobre nós.

LOREL- (...) 05?

MILA- Sim e mais algumas tantas que você ou eu não podemos enxergar daqui agora... O envelope é invisível! Porque não existe um arpejo ideal para uma nota musical que não tem fim. Sempre que me dá aquela vontade, uma ideia, um verso, um conto, um nome de significado interessante que eu possa senti-lo especial... Vou lá e escrevo na “cartinha”.

LOREL- (Risos) Oquey... E o que, por exemplo, você escreve?

MILA- Sobre medos... Meus medos... Meus segredos... Minhas paixões. A penumbra do olhar que precisei frear... A dor e o amor... O peso e a leveza da conversa proibida... O grande amor encontrado, mas que precisou ser escondido até ser perdido... Os “eu te amos” se encolhendo por falta ou excesso dos mesmos... E até sobre a falta de ar que às vezes tenho... Que, muitas vezes, deve ser pela falta de ar puro...

 

LOREL- Nossa.. (fala quase exclamando e ao mesmo tempo pensativa sobre tudo que acabara de ouvir... Como quem se surpreende com tanta informação e verdade pessoal). Pois eu nesse lugar que estamos agora, sinto ar puro! Talvez seja a combinação entre o mar, a areia, as cinco estrelas, o papo da carta sem fim e você aqui comigo (olha com um jeito atrevido para Mila).

MILA- Obrigada (risos com cara de espanto). Você é rápida! Até foi poético. mas também foi selvagem.

LOREL- As pessoas no trabalho quando souberam que eu sairia com você...

MILA- O que disseram?

LOREL- Que você iria me agarrar!

MILA- Uow! Sou demais hein! Olá chapeuzinho, i am loba má! (risos)

LOREL- (risos)

[Silêncio, aparente beijo que pode surgir... não surge]

LOREL- Mila, seus medos são muitos? Se fosse possível assim, dizer... E não venha com papo de quantidade de estrelas no céu...

MILA- Tantos, tantos e tantos (interrompendo a fala da outra e já respondendo).

LOREL- Você tem medo de olhar para o mar?

MILA- Claro que não!

 

 

LOREL- Pois olhe. Arrisque só olhar... Que eu não tenho pressa alguma... E você não tenha pressa também.

[Foco nos olhos... de uma... e de outra... o mar... as ondas... o mesmo ângulo da lua da introdução]

MILA- Sim, você tem razão... Incrível como toda minha liberdade anda cheia de tensão, de prisões, relógios, pressas... Daí nascem os medos...

LOREL- Não quero ter razão. Não precisamos ter. Pelo menos não agora. Não diz nada. Pertença ao mar... E deixa ele te pertencer.

(Depois de uma música não muito longa, que dê a entender que o tempo passou um pouco nessa observação das duas diante do mar. A Mila levanta e caminha até o mar. Lorel a acompanha em seguida).

 

MILA- Acho que tudo que eu escrevo, há tantos anos... Em boa parte, são coisas que eu queria viver... Mas não me arrisco... Fico no campo da imaginação... E me acomodo... Mas sofro...

E sofrer me faz escrever... Mas não pode ser só isso não... Tanto sofrimento... Sofrer é também a falta de entrega... E se entregar é como a carta sem envelope visível... Não cabe em nada... Cabe nos teus olhos, mas logo escorre até os dedos dos meus pés e segue nesse mar imenso...

 

LOREL- Mila...

MILA- Lorel... Obrigada.

(Mila beija Lorel nos lábios, como quem beija um pouco a si também. Um ‘selinho’ cheio de confiança e carinho. Lorel a vira e a beija na nuca.).

LOREL- Fazia horas que queria te beijar.

MILA- Pois eu não. (silêncio) Eu não queria apenas te beijar, eu queria me entregar nesse beijo.

Lorel naquele momento se encanta e respira com pureza, ao ouvir Mila, como quem ama pela primeira vez.

O amor pode acontecer por mais de uma vez, mas sempre será a primeira vez!

Mila e Lorel olhavam para o mar, contemplando o amor, sem nenhum mistério.

Uma entrega boa, perdendo os medos e sem apegos obcecados.

[Mãos se encontram, se apertam - foco nas mãos... E logo foco na lua, no mar e na sombra da “luz” das duas. Terminando com o ângulo da câmera por cima de ambas juntas, pegando a imagem mais aberta].

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