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DIÁRIO DA MADRE

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Xícara Azul

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Era uma vez uma xícara azul.

Todos os dias ela saía do armário, passava pelas mãos, pelo ar, pela mesa, pelo sujo, pelo molhado, pelo limpo, pelo pano, pelo armário... Onde ficava até fazer todo o percurso outra vez.

Esta era sua vida. Seu azul brilhante, carregado de beleza e harmonia, não era mais percebido como quando chegara ao mundo. A rotina quente lhe fazia fria e os momentos pareciam todos iguais, mesmo que fossem diferentes. O barulho da colher dentro dela já não era nenhuma novidade. O sopro dado na bebida quente, que outrora lhe trazia paz, hoje era motivo de irritação. Onde estavam as palavras? Onde estavam as colheres que batiam em seu interior explodindo em sonhos, alegria e sons?

Tudo se tornava cada vez mais mórbido... Distante... Vazio... “Crack, Prac, Prec”! A xícara azul cai no chão. Pedacinhos azuis se espalham na Terra. Por um instante ela é percebida com um pouco mais de atenção. As lembranças surgem instantaneamente... Silêncio e Lixo.

 

(...)

 

Era uma vez um lixo azul... 

 

[O tempo não para, renasce. Renasça. Reaja. Seja você mesmo e corra atrás do que deseja. Transforme-se, entregue-se à própria reciclagem. Somos eternas crianças, já diria minha avó Esmeralda. Fé!]

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